Monday, March 30, 2009

Nua, de pé, o cabelo solto às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rio enorme
De áureas ondas tranqüilas e impalpáveis
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha palpitante e viva.
Entra, parte-se em feixes rutilantes,
Aviva as cores das tapeçarias,
Doura os espelhos e os cristais inflama.
Depois, tremendo, como a arfar, desliz
Pelo chão, desenrola-se, e, mais leve,
Como uma vaga preguiçosa e lenta,
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco.
Sobe... -- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril! -- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos azuis

E aos mornos beijos, às carícias ternas
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...
Corre-lhe à flor da pele um calafrio;
Todo o seu sangue, alvoroçado, o curso
Apressa; e os olhos, pela fenda estreita
as abaixadas pálpebras radiando,
Turvos, quebrados, lânguidos, contemplam,
Fitos no vácuo, uma visão querida...

Talvez ante eles, cintilando ao vivo
Fogo do ocaso, o mar se desenrole:
Tingem-se as águas de um rubor de sangue,
Uma canoa passa... Ao largo oscilam
mastros enormes, sacudindo as flâmulas...
E, alva e sonora, a murmurar, a espuma
Pelas areias, se insinua, o limo
Dos grosseiros cascalhos prateando...

Talvez ante eles, rígidas e imóveis,
Vicem, abrindo os leques, as palmeiras:
Calma em tudo. Nem serpe sorrateira
Silva, nem ave inquieta agita as asas.
E a terra dorme num torpor, debaixo
De um céu de bronze que a comprime e estreita...

Talvez as noites tropicais se estendam
Ante eles: infinito firmamento,
Milhões de estrelas sobre as crespas águas
De torrentes caudais, que, esbravejando,
Entre altas serras surdamente rolam...
Ou talvez, em países apartados,
Fitem seus olhos uma cena antiga:
Tarde de outono. Uma tristeza imensa
Por tudo. A um lado, à sombra deleitosa
Das tamareiras, meio adormecido,
Fuma um árabe. A fonte rumoreja
Perto. À cabeça o cântaro repleto,
Com as mãos morenas suspendendo a saia,
Uma mulher afasta-se, cantando...
E o árabe dorme numa densa nuvem
De fumo... E o canto perde-se à distância...
E a noite chega, tépida e estrelada...

Certo, bem doce deve ser a cena
Que os seus olhos extáticos ao longe,
Turvos, quebrados, lânguidos, contemplam.
Há pela alcova, entanto, um murmúrio
De vozes. A princípio é um sopro escasso,
Um sussurrar baixinho... Aumenta logo:
É uma prece, um clamor, um coro imenso
De ardentes vozes, de convulsos gritos.
É a voz da Carne, é a voz da Mocidade,
-- Canto vivo de força e de beleza,
Que sobe desse corpo iluminado...

Dizem os braços: "-- Quando o instante doce
Há de chegar, em que a pressão ansiosa
Destes laços de músculos sadios,
Um corpo amado vibrará de gozo? --"

E os seios dizem: "-- Que sedentos lábios,
Que ávidos lábios sorverão o vinho
Rubro, que temos nestas cheias taças?
Para essa boca que esperamos, pulsa
Nestas carnes o sangue, enche estas veias,
E entesa e apruma estes rosados bicos... --"

E a boca: "-- Eu tenho nesta fina concha
Pérolas níveas do mais alto preço,
E corais mais brilhantes e mais puros
Que a rubra selva que de um tírio manto
Cobre o fundo dos mares da Abissínia...
Ardo e suspiro! Como o dia tarda
Em que meus lábios possam ser beijados,
Mais que beijados: possam ser mordidos!--"

Mas, quando, enfim, das regiões descendo
Que, errante, em sonhos percorreu, Satânia
Olha-se, e vê-se nua e, estremecendo,
Veste-se, e aos olhos ávidos do dia
Vela os encantos, -- essa voz declina
Lenta, abafada, trêmula...

Um barulho
De linhos frescos, de brilhantes sedas
Amarrotadas pelas mãos nervosas,
Enche a alcova, derrama-se nos ares...
E, sob as roupas que a sufocam, inda
Por largo tempo, a soluçar se escuta
Num longo choro a entrecortada queixa
Das deslumbrantes carnes escondidas...

A uma amiga. professora de portugues

Quando tenho a certeza
Que não és ilusão, nem sonho
É uma sensação tão emocionante
Um sentimento de amor tão profundo
Que trocaria todo o mundo.
Por um sorriso teu
Gostaria de beber
O mais fino e encorpado buquê
No mais fino dos cristais
Brindar a alegria
Da grande poesia
Do encontra da uma diva
Com um mortal sentenciado a pena
Brinde de um plebeu e tu minha pequena.

Gosto do teu jeito

Gosto do teu jeito
De olhar, e sorrir.
Perturba meu pensamento,
De da paz e alento
Desequilibra meus pensamentos,
Põe dúvidas nos meus sentimentos
E volúpia no clima, sinto desejo,
Deixa que eu .tua alma
E desvenda meus segredos

O teu olhar negro e pacífico
tem o efeito apaixonante
de um grande tormenta: de luz,
Balança me conduz a sonhos.
Fantasio mementos.
Outro dia vi uma lagrima brotar
A tormenta de minha alma
E o desejo de meus sentimentos
Não sabia eu se sofrias
mas delirava de alegria
Em ver teus olhos ainda mais belos
Se pudesse te domaria no colo
Não sei se a consolava

Sunday, March 29, 2009

conceito do preconceito

Conceito é o se diz das definições
Preconceito é o conceito preconcebido
De forma genérica
Chamar pessoa de cor, de preto
Chamar quem furta de ladrarão
Não é preconceito, é adjetivação
Chamar branco safado
Chamar político ladrão
Chamar negro safado
Branco nojento
É agressão xingamento
O preconceito esta na forma genérica
A expressão todo branco é safado
Tudo político é ladrão
Palavras poeticamente incorretas
O preconceito esta ate no olhar
No desdenhar da indiferença
No olhar de lado
Como se fosse superior
No sorriso debochado
No descrédito sem palavras
No olhar de cima a baixo

Sunday, March 22, 2009

Sonho ´posso




Não sou, como os outros
Nem tão pouco sou diferente
sou como todos são
Único na individualidade
Cada um é único
O nada é a única inexistência
Que tudo nadifica e transforma
Assim sou eu mutante no pensar
Eterno no meu tempo
Que já morri vezes
Que já nasci vezes
Que ao descobrir o sonho
Perdi o limite das ações
Posso sondar posso tudo
Não há um astro que não possa tocar
nao existe estrela que nao possa alcansa

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Friday, March 13, 2009

a semente da vida

A semente da vida

gemina contaminada

com o virus da morte..

Sou sonhador

Sonho pensando

Pensando escrevo

Sonho pintando...

Morrer é ser esquecido..

Quero ser sempre lembrado.

Espero que a semente

Das minhas sementes

Conte as sementes dela


vista do quarto de cima

minha primeira tela

Tuesday, March 03, 2009

Lua

Venha vinha

Quando tenho a certeza
Que não és ilusão, nem sonho
É uma sensação tão emocionante
Um sentimento de amor tão profundo
Que trocaria todo o mundo.
Por um sorriso teu
Gostaria de beber
O mais fino e encorpado buquê
No mais fino dos cristais
Brindar a alegria
Da grande poesia
Do encontra da uma diva
Com um mortal sentenciado a pena
Brinde de um plebeu e tu minha pequena.